A descoberta do tempo
Outras pessoas hão de habitar essa casa. É um fato. Fazem dois anos que já não moro com meus pais, estive em muitos lares desde então - fisicamente falando - e sei que é inconstante o estar de tudo. Outras pessoas hão de habitar essa casa, mas é difícil enxergá-las criando memórias tão íntimas nos lugares onde eu as estou vivendo agora. Não iremos ficar para sempre, eu sei. Menos que isso, não iremos compartilhar as nossas rotinas para sempre. Eu, minha irmã, meu cunhado e meus sobrinhos. Sinto que cada momento é precioso demais, tento vivê-los com calma e com cuidado. Descubro o tempo.
Aconteceu pela primeira vez quando eu segurava Hannah, Noah ou Bento e tão constantes quanto a respiração me vieram o choro, o riso, a morte, a vida - mais tarde eu descobriria que esse fluxo intenso também é chamado de amor. A descoberta do tempo também é a descoberta do amor e vice-versa, disso extraímos essas frágeis pérolas de futuras nostalgias que serão guardadas eternamente à sete chaves. Aconteceu pela segunda vez quando percebi que conhecia Hannah, Noah e Bento bem demais sem eles terem dito sequer uma palavra.
Às vezes tenho a impressão de que Bento é um velhinho no corpo de um bebê, ele sempre parece saber coisas demais. Existem esses momentos em que ele assume essa postura sábia, silenciosa, observadora e só me lembro de que se trata de um ser humano de oito meses de idade quando intrigado me aproximo e sou recebido com o mais sincero e ingênuo dos sorrisos. Bentinho sabe exatamente o que fazer para ganhar um carinho, o leite, o bico e confesso que sempre me sinto manipulado por ele. Me identifico muito também.
Noah é tímido, precisa ser conquistado e ganhar sua confiança aos poucos para que ele te presenteie com uma fofura tão contagiante que até o seu mini espirro de mini ser humano o faz sorrir de onde quer que possa ser ouvido. Apesar de terem nascido no mesmo dia e ele ser o segundo na fila do parto, sempre o vejo como o caçula dos três. Noah carrega uma sensibilidade muito bonita.
Não sei o quanto posso dizer isso sobre um bebê, mas Hannah é muito independente, só chora quando extremamente necessário - se o bico caiu ela faz de tudo para conseguir pegar. Hannah consegue dar voltas e voltas na cama, já ensaia um perfeito levantar e parece ter tudo sob controle o tempo todo. Parece muito a minha irmã.
Enquanto extraio uma dessas pérolas e sinto o choro o riso a morte e a vida pulsarem como sangue nas minhas veias, descubro o tempo. Morrerei e viverei de saudade desses pequenos recortes quando nossas vidas se separarem do acordar e dormir de cada dia. Sentirei falta dessa casa onde outras pessoas hão de habitar um dia. De me sentir em família. Dos hábitos que cresci aqui. Porque a descoberta do tempo é saber que ele é tão frágil quanto a vida.
Aconteceu pela primeira vez quando eu segurava Hannah, Noah ou Bento e tão constantes quanto a respiração me vieram o choro, o riso, a morte, a vida - mais tarde eu descobriria que esse fluxo intenso também é chamado de amor. A descoberta do tempo também é a descoberta do amor e vice-versa, disso extraímos essas frágeis pérolas de futuras nostalgias que serão guardadas eternamente à sete chaves. Aconteceu pela segunda vez quando percebi que conhecia Hannah, Noah e Bento bem demais sem eles terem dito sequer uma palavra.
Às vezes tenho a impressão de que Bento é um velhinho no corpo de um bebê, ele sempre parece saber coisas demais. Existem esses momentos em que ele assume essa postura sábia, silenciosa, observadora e só me lembro de que se trata de um ser humano de oito meses de idade quando intrigado me aproximo e sou recebido com o mais sincero e ingênuo dos sorrisos. Bentinho sabe exatamente o que fazer para ganhar um carinho, o leite, o bico e confesso que sempre me sinto manipulado por ele. Me identifico muito também.
Noah é tímido, precisa ser conquistado e ganhar sua confiança aos poucos para que ele te presenteie com uma fofura tão contagiante que até o seu mini espirro de mini ser humano o faz sorrir de onde quer que possa ser ouvido. Apesar de terem nascido no mesmo dia e ele ser o segundo na fila do parto, sempre o vejo como o caçula dos três. Noah carrega uma sensibilidade muito bonita.
Não sei o quanto posso dizer isso sobre um bebê, mas Hannah é muito independente, só chora quando extremamente necessário - se o bico caiu ela faz de tudo para conseguir pegar. Hannah consegue dar voltas e voltas na cama, já ensaia um perfeito levantar e parece ter tudo sob controle o tempo todo. Parece muito a minha irmã.
Enquanto extraio uma dessas pérolas e sinto o choro o riso a morte e a vida pulsarem como sangue nas minhas veias, descubro o tempo. Morrerei e viverei de saudade desses pequenos recortes quando nossas vidas se separarem do acordar e dormir de cada dia. Sentirei falta dessa casa onde outras pessoas hão de habitar um dia. De me sentir em família. Dos hábitos que cresci aqui. Porque a descoberta do tempo é saber que ele é tão frágil quanto a vida.
(da esquerda para a direita: Bento, Hannah e Noah)

Bento, Hannah e Noah são muito sortudos por descobrirem o amor uns pelos outros e por você tão cedo! Muita vida pra eles, nem vi pessoalmente e já simpatizo faz tempos. Obrigada pelo texto maravilhoso <3
ResponderExcluirSinto um orgulho imenso quando te vejo refletido nas letras, não que seja uma particularidade apenas nesse campo, porém não se pode negar que é reflexo muito bonito. Admiro a capacidade de criar lirismos longe dos versos e a inteligência e sensibilidade para se expressar tão bem! Esse texto é uma pérola desse tempo difícil e quando passar, será uma pérola para outros tempos, templos, como você bem pontuou tão sabiamente. É delicado, é breve e deixa essa sensação de reler pois é muito sincero. Seus sobrinhos têm muita sorte e você tem a mesma por ter essas fofurinhas em sua vida. É uma responsabilidade imensurável. Quanto ao próprio tempo, as casas templos que habitamos, existe aqui uma colocação muito perfeita, seu texto é cheio de sentimentos e como eu disse. De sabedoria também. Gostei muito. "Pés passando, passa, uma multidão". Parabéns pelo texto. Ótimo o blog. Um bjinho!
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