Educação como prática da liberdade

Quais obras buscar para conhecer Paulo Freire?

Quando penso no meu processo de alfabetização, recordo do meu pai me ensinando, em um quadro pequeno branco no quarto com a janela que dava pra rua, a letra C e algumas palavras que a continham. A letra C, assim como todas as outras do nosso alfabeto romano, fazem parte de quem eu sou e eu as utilizo pra construir minha história. Assim, penso ser essencial compreender qual é o lugar da educação e do processo de aprendizagem dentro da formação da consciência humana como sujeito ativo da própria história.
A recuperação do destino, como projeto, é o ponto essencial da metodologia de aprendizagem de Paulo Freire, conscientizando o sujeito como agente da própria história , agindo na superação da dialética de contradições que permeiam sua vida.  É pelo fato da consciência crítica ser anárquica, se relacionar com a liberdade, que os nossos governantes atuais temem sua efetiva implementação: fato visto constantemente na desvalorização da figura desse importante educador brasileiro, reconhecido mundialmente. Pensando na questão humana, os opressores se configuram como desumanizados tanto quanto os oprimidos nessa realação dialética da história e a luta reside, então, na restauração da humanidade de ambos. A tendência dos opressores, relacionada ao consumo, é de possuir, inanimar, numa tendência necrófila do mundo, criando no oprimido o pensamento de que é necessário a relação de poder para sobrevivência do oprimido.  Nesse sentido, faz parte do oprimido almejar ser opressor, fato claramente visto pelos oprimidos de classe média, que anseiam (e até acham) fazer parte da classe superior opressora.
A libertação dessa relação dialética é uma ação social conjunta, afinal, o homem é um ser social. A superação da consciência opressor x oprimido deve se pautar, então, coletivamente. O docente, dessa forma, deve atuar com papel problematizador no educando, inserindo-o na realidade, afastando-se do fetiche social que reproduz as desigualdades e construindo a famosa "educação de mão-dupla", que torna o educando ativo no próprio conhecimento. Ademais, educação não deve ser mercantilizada e elitizada, mas universal e acessível, para que possamos superar o conformismo social e o embate entre o opressor e o oprimido.
Me entristece a forma como aprendemos, até, esses conceitos que citei. De forma engessada e não ativa, falta na nossa educação o incentivo para procurar e se aprofundar em diversos temas inerentes à condição humana e membros importantíssimos da educação libertadora. Ser livre é ser autônomo do seu conhecimento, se apoiando nos docentes para conquistar essa autonomia, e não para conquistar os saberes em si. O desenvolvimento da consciência, assim, perpassa pelo desenvolvimento da autonomia de ser. Agradeço muito ao meu pai e aos professores que me ensinaram as letrinhas do alfabeto, com as quais pude construir minhas palavras e dizer: tenho muito a aprender ainda.

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