por que eu nao existo, porque eu nao existo

René Magritte
brincadeira ridícula feita no título. mas esse texto é pra mim ou pra alguém? eu sempre começo me depreciando, é facil, eu antecipo o pensamento da outra pessoa e facilito as coisas deixando claro meus defeitos. mas eu não queria escrever sobre isso. é díficil tirar as coisas de dentro de mim, porque tá tudo tão trancado tão juntinho tão longe e eu sinceramente não consigo enxergar nada de produtivo, bom ou agregador na minha história, nos meus pensamentos, em tudo o que eu já fui e sou. literalmente nada. esse pensamento vai caminhando atrás de qualquer outro que venha na minha cabeça várias vezes ao dia, me deprime, e eu tento empurrar ele pra longe assim como eu me empurro pra longe. penso bastante também sobre como um dia eu vou querer ter um sofá e nesse sofá eu vou abraçar alguem que eu ame mas que diabos eu vou oferecer pra essa pessoa além de mágoa tristeza e vazio? é isso que eu sou e tento preencher a cada instante. vazio. nada. eu nao existo, nao tenho memórias, minhas memória é fraca, eu não lembro de muita coisa... muita coisa importante. sabe? coisas que me compõe e que eu jogo de lado por pensar que eu sou ridícula demais pra estar ali e eu acabo esquecendo do que eu vivi simplesmente porque quando eu volto na memória eu só consigo me ouvir dizendo o que dói. só ouço o que dói.
eu não consigo lembrar, sabe? isso que me apaga. e ao mesmo tempo que eu não lembro de quem eu sou, eu não consigo parar de escrever "eu". é porque é mais fácil falar do difícil.
e por falar em difícil, se me pedissem pra descrever uma vida que não é minha, numa cidade lá do interior de santa catarina, com outro nome, eu conseguiria dar mínimos e mínimos detalhes fantasiosos sobre as risadas, os choros, os amores, as brigas, as punhetas. mas, não me peça pra falar de mim. não sou ninguém. não lembro. eu apaguei. e isso é sincero, não sei o quanto parece um delírio jovem saudosista: eu não lembro  eu não me lembro de mim.
e é isso que me apaga. eu vivo num futuro que não existe e em umas breves ocasiões egoístas do passado que também estavam em perspectivas deturpadas. daí, não tem nada. nunca existi.

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