azul moderno


Eu sinto muito a sua falta, sinto muito a minha falta também. O que eu escrevo hoje provavelmente não é bonito, mas é sincero. Às vezes a sinceridade não é nada além de fosca e feia, vez em quando ela não espera dezenas de palavras bonitas para se enfeitar e sai assim mesmo. Eu respeito. E sinto muito a sua falta, sinto muito a minha falta também.

Lembro quando andávamos por essas mesmas ruas naquela época, recém chegados nessa "cidade grande". Olhávamos involuntariamente para os dois lados ao atravessá-las. Você disse que seria assim mesmo, que "viemos do interior, sempre iremos olhas para os dois lados, é costume". Concordei. Rimos. 

Hoje não olhei pro outro lado quando atravessei essa mesma rua que nós éramos nós há um ano atrás. Percebi quase que instantaneamente e chorei feito um desgraçado, de máscara e tudo. Eu mudei muito. A gente muda e não se encaixa mais, o amor não respeita e dói. Mas fiquei forte. Só que ficar forte dói demais também. Queria ser fraco com você. Não deu. 

Enxugo o rosto, mas turvo continuo por dentro. Apesar de chorar, as lágrimas não me sufocam tanto quanto a nostalgia de te amar devagarinho, sem pressa, lá atrás. Quando as palavras passado presente futuro eram apenas palavras e não exerciam nenhum tipo de magnetismo sobre mim. Sinto saudade desse quando, além de mim e de você. Quando o céu brilhava azul moderno. 

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