Da consciência de classe
por maria


O remodelamento dos limites da ordem às
quais a classe trabalhadora se submete é central para o movimento dos
trabalhadores. Nesse sentido, a tomada de consciência como unidade subjetiva e
a sintetização de multiplicidades, processos contínuos e em transformação,
unem-se para construir a consciência de classe.
A primeira consciência é formada logo na infância,
ao interagir com o externo, por meio de percepções advindas dos órgãos sensoriais
que constroem representações mentais da realidade que circunda o sujeito,
sobretudo na primeira instituição a qual os seres humanos se submetem: família.
Pensando no surgimento de tal instituição, o nascimento engloba a fase em que o
ser percebe o mundo como complemento de si, uma vez que, mesmo em útero, a
noção de individualidade é inexistente. A munição que os humanos carregam nas
primeiras interações com o mundo são os impulsos básicos, os instintos que se
originam da organização somática, que Freud denomina ID. Posteriormente, quando a noão de "eu" se faz presente, esses
impulsos interagem com o mundo externo e desenvolve-se o EGO para mediar tal
relação, que tenta realizar as exigências do ID ao ponderar as circunstancias
externas para satisfação. O exterior, a ação dos pais, as tradições raciais e
nacionais começam a ser transmitidas, então, ao recém-nascido, que interioriza
a relação entre o EGO e o mundo externo: dessa interiorização surge o SUPEREGO,
que se torna parte constitutiva da subjetividade individual, naturalizando a
realidade particular, apto a reproduzir as relações e tradições pela
associação.
Construindo-se a noção de “eu” a partir das
instancias supracitadas, inicia-se a luta do indivíduo, do ego, que engloba os
instintos de sobrevivência e da reprodução (ligado à afetividade e ao desejo), diferenciando-se
pelo grau de maleabilidade: a sobrevivencia cobra satisfação imediata, pela
alimentação, mas os desejos podem ser reprimidos sem comprometimento da sobrevivência.
Mais tarde, os mecanismos da generalização da visão de mundo, postulados pelo
SUPEREGO e pela inserção de valores, a naturalização dos mecanismos de relação,
a satisfação das necessidades do ID que respeitam formas e ocasiões, e a sobrevivência
que reprime o desejo e zela pela manutenção de valores contribuem para a
aceitação de relações preestabelecidas, como a escola e como o trabalho, em que
o exterior modela as ações do indivíduo. Desse modo, trabalhar para sobreviver
se torna uma questão facilmente aceita, uma vez que manifestações da consciência
primária formam o alicerce de instalação da ideologia e da dominação.
realmente.
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